Em meio à crise, Ariovaldo Ramos sai em defesa de Lula, Dilma e do PT

Em tempos de crise política, moral, ética e econômica no Brasil, é cada vez menor o número de pessoas que defendem, publicamente, o Partido dos Trabalhadores, envolvido no maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Seria de se esperar que os evangélicos (ou, pelo menos, aqueles que se consideram evangélicos), tivessem uma postura de oposição em relação àqueles que, abertamente, assumem posições contrárias à ética de gestão pública. Mas alguns cristãos ainda têm se levantado em defesa da presidente Dilma Rouseff e do PT. É o caso do pastor Ariovaldo Ramos, um dos principais nomes da teologia da missão integral no Brasil, e que já demonstrou, em outras ocasiões, a simpatia pela ideologia de esquerda.

Usando sua conta no Twitter, o pastor desqualifica as investigações da Operação Lava Jato, com referências ao juiz que conduz a investigação, Sérgio Moro. “Aviso aos navegantes: juiz ñ pode desfilar de toga em passarela nem ser fofoqueiro! #ESTADODEDIREITOJA”, disse ele.

Ramos ainda sugeriu que os grampos feitos pela investigação foram ilegais, e chamou Lula, um dos investigados na operação, de “presidente”: “O presidente não tem celular, a Presidenta tem… Adivinha quem foi grampeado! #ESTADODEDIREITOJA”.

Em nenhum momento, Ariovaldo Ramos se prestou a comentar o conteúdo comprometedor dos grampos, divulgados na última quarta-feira pela Polícia Federal. Nas gravações, fica evidente a tentativa deliberada da presidente Dilma e do ex-presidente Lula de obstruir a justiça em várias frentes – mediante o envio do termo de posse “em caso de necessidade”, para que Lula assumisse o cargo de ministro; mediante a tentativa do ministro da educação, Aloizio Mercadante, de calar o senador Delcídio do Amaral, impedindo-o de denunciar as irregularidades do PT; mediante a tentativa de barrar a investigação de Moro através do Supremo Tribunal Federal, com a ajuda da ministra do STF Rosa Weber; mediante as ordens explícitas de interferência, um ato criminoso, nas ações da Receita Federal, órgão que deve agir com autonomia; mediante o uso do ministério da Casa Civil como uma “arma”, como dito por seu advogado, para conseguir foro privilegiado e escapar das mãos de Sérgio Moro. Ao apoiar Dilma e, por consequência, Lula e o PT, mesmo após a divulgação desses grampos, Ariovaldo Ramos não luta pelo estado de direito (como alega), mas contra ele.

Ariovaldo Ramos é conhecido por sua postura progressista, alinhada com o pensamento de esquerda, demonstrada também em outras ocasiões. Uma delas ocorreu quando ele demonstrou simpatia pelo ditador venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, e responsável por afundar a Venezuela em um regime ditatorial, comandado hoje por Nicolás Maduro. “Todos os que, em todo lugar, lutam pela erradicação da pobreza, pela emancipação do ser humano, e por justiça e acesso ao direito para todos, tiveram, em Hugo Chávez, uma referência de compromisso para com o pobre, para com o despossuído, para com o injustiçado”, disse ele, à época.

 

Por Mariana Gouveia

Foto: ecristo.wordpress.com

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