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O trabalho pastoral | Igreja

Devocional
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Como um jovem pastor deve ver a responsabilidade que Deus lhe confiou, de pastorear um rebanho? Entenda mais!

Por definição, pastores são servos ordenados ao cuidado do rebanho. Grosso modo, é missão do pastor cuidar das ovelhas que foram compradas por Cristo na cruz do calvário, conduzindo-as até a presença do supremo pastor (Ef 5.27), o qual as receberá e desincumbirá o pastor de sua sublime responsabilidade (Pv 27.23-24). 

O chamado ao trabalho pastoral, como bem o sabemos, é um ato soberano de Deus (Hb 5.4). É o próprio Deus quem designa aqueles que responderão por seu rebanho – prestando contas a Ele. Para Martin Lloyd-Jones1, o homem de Deus é aquele que encara essa missão com “fraqueza, tremor e grande temor”.  

A RELEVÂNCIA DO TRABALHO PASTORAL

O sábio rei Salomão, que viveu o apogeu do reino de Israel, conhecia muito bem a responsabilidade que estamos tentando aventar. Este poderoso monarca nos oferece um exemplo de quão relevante é o trabalho do ministro e de como Deus se importa com esta missão: 

Pv 27.23-24 Procura conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida dos teus rebanhos, 24 porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa de geração em geração. 

Para Salomão, a preocupação premente do pastor deveria ser o seu rebanho. Não as láureas humanas ou desejo por fama e fortuna, para o sábio rei de Israel, tudo isso era acessório, se comparado a glória do ministério e o que ele representava. 

John Jowett2, costumava dizer que o ministério era algo tão relevante que todo o ser do ministro deveria estar envolvido com ele. Toda a sua vida deveria contribuir para o adimplemento do mesmo, em suas palavras: 

“Minha consciência não me acusa de distrações para qualquer tipo de rivais que apelem para o meu vigor e minha obediência. Tenho tido uma só paixão e por ela tenho vivido: a obra cativantemente árdua, mas gloriosa, de proclamar a graça e o amor de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” 

Ainda segundo o senhor Jowett, quando esta relevância não está em pauta, quando falta este senso de solenidade na vida do ministro, “tal ausência tirará a sua responsabilidade e tenderá a secularizar completamente o seu ministério”.   

O verdadeiramente vocacionado ao glorioso serviço pastoral, estremeceria, só de pensar em desagradar a Deus. Nunca lhe passaria pela mente permitir ser rotulado como um ministro mundano e leviano. Tais prerrogativas nem se quer se nomeariam em sua mente e coração. Seriam para ele um ultraje, um achaque. Toda esta fútil marca de mundanismo seria obrigatoriamente dissipada quando diuturnamente o brilho do chamado vocacional reluzisse em seu semblante, como ocorria com o apóstolo Paulo: 

“Esse tipo de admiração estava presente na vida do apóstolo Paulo. Depois do infinito amor do seu Salvador, e da maravilhosa glória da sua própria salvação, a admiração dele é atraída a alentada pela sobrepujante glória da sua própria vocação. Seu “chamado” nunca se perde na mistura de profissões. A luz do privilégio está sempre fulgindo no caminho do dever. […] Ele parece prender a respiração toda vez que medita na sua missão” (O Pregador, sua vida e obra, p. 15)  

Em suma, se é verdade que o evangelho é a maior necessidade do homem, então o ministro do evangelho é seguramente a pessoa mais importante do mundo. Eis, portanto, a relevância do ministério. 

A REVERÊNCIA DO TRABALHO PASTORAL 

Para Charles Spurgeon, muitos homens não estavam à altura do ministério pastoral por lhes faltar solenidade (reverência). Toda a pompa de sua posição social, o peso de seu sobrenome e ou mesmo a robustez de sua conta bancária, não seriam suficientes para habilitá-lo ao sacerdócio, se lhe faltasse o principal, o senso de sublimidade que envolve o serviço aos santos. 

Diz-se que quando Charles Kingsley estava prestes a ser ordenado ao ministério pastoral, era patente o semblante reverente que o envolvia. No diário que ele cotidianamente conservava, no exato dia da bendita ordenação, ele escreveu: 

“Daqui a poucas horas, toda a minha alma estará aguardando em silêncio os selos de admissão ao serviço de Deus, honra que mal me considero digno […] Há meses, dia e noite, minha oração tem sido: Oh, Deus, se não sou digno, se o meu pecado em levar almas para longe de Ti ainda está sem perdão, se o meu desejo de ser ministro não é exclusivamente com o propósito de Te servir, se é necessário me mostrar a minha fraqueza e a santidade do Teu ofício com ainda mais força, oh, Deus, rejeita-me” 

Não obstante o que fora tratado, creio que não se pode acrescentar às palavras de Horatius Bonar, fazendo menção ao seu dileto amigo, Robert Murray M’Cheyne: 

“Era tão reverente para com Deus, tão satisfeito sem suas aspirações com referência a Ele […] jamais parecia desprevenido. Sua lâmpada estava sempre ardendo, e os lombos sempre cingidos. Seu esquecimento de tudo aquilo que julgava não visar a glória de Deus era notável, e parece que nunca houve ocasião em que ele mesmo não sentisse a presença de Deus” (O Pregador, p. 17) 

Eis, portanto, um ótimo exemplo de quão reverente deve ser a postura do ministro. 

O ZELO PELO TRABALHO PASTORAL 

O Príncipe dos Pregadores costumava dizer àqueles que buscavam à Escola de Pastores para treinamento e orientação: “Quem deseja uma vida fácil nunca deveria pensar em ocupar um púlpito cristão. O púlpito não é o lugar dessa pessoa, e, quando ela ali chegar, o único conselho que posso lhe dar é que saia dessa posição o mais rápido possível”3

Do exposto, fica claro que não deve frequentar o púlpito àquele que não tem aptidão para tanto, que não possui zelo. O pastor precisa olhar para a plataforma onde repousa a sua principal ferramenta de trabalho e poder dizer: “o zelo pela tua casa tem me consumido” (Sl 69.9) 

Ainda segundo Spurgeon: 

“Sua alma deve estar na obra; todo o seu ser deve estar envolvido no esforço; toda a destreza que Deus lhe deu deve ser usada vigorosamente na obra que foi confiada às suas mãos. Esse é o homem que nós queremos. […] Precisamos de homens que tenham o coração em chamas, e eu lhes suplico que peçam a Deus que envie tais homens”  

Ao longo da história do cristianismo inúmeros foram os casos de homens tão zelosos na obra e poderosos no púlpito que, mormente muitos séculos de silêncio sepulcral, seu poder na plataforma ainda faz-se sentir. Como não lembrar: 

1 – A eloquência sapiencial dede Santo Agostinho (Hipo IV-V Séc.) 

2 – A retórica inflamada de João Crisóstomo “Boca de Ouro” (Antioquia V Séc.) 

3 – O ímpeto reformador de John Wycliffe “A estrela d’alva da reforma” (Inglaterra Séc XIV) 

4 – A coragem exegética do poderoso Martinho Lutero (Witemberg Séc. XVI) 

5 – “A arte expositiva” de João Calvino (Genebra Séc. XVI)  

Homens que bem fazem jus ao inflamado orgulho de Deus, pois: 

Hb 11.33-34 “subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, 34 extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos inimigos” 

Me parece que o sublime “Rol da Fé” que tão brilhantemente fora escrito pelo erudito autor de Hebreus, na verdade é uma espécie de brado que adentra as almas dos homens dizendo: olhem para estes exemplos, e sejam zelosos! 

Sob outro aspecto, enquanto Paulo escrevia para Timóteo, seu principal discípulo, ele o advertia: “Tem cuidado de ti mesmo” e mais “Não te faças negligente” (I Tm 4.14, 16). Dito de outra forma, seja zeloso! 

Mas, cuidado: 

“Mesmo conhecendo a verdade e estando confirmados nela pela graça divina, não é trabalho fácil difundir o tesouro celestial. Comunicar aos outros o ensino de Deus é serviço delicado e difícil. Temos que conhecer a verdade em nossa própria alma a fim de transmiti-la eficazmente. Precisamos também viver no desfrute cotidiano dela. Só quando o Espírito inunda a mente de um homem pode este influir em outras mentes de forma correta. O Espírito do evangelho deve estar nele, tanto quanto a sua doutrina”. C. H. Spurgeon 

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