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A Dor do Leproso | Série Criação de Filhos

Por 21 de maio de 2018 0 Comentários

O ano foi 1979, e estava num lugar onde nunca imaginava ter chegado.  Havia viajado com um time evangélico de futebol para jogar contra várias aldéias do interior da Costa do Marfim, África.  Ao mesmo tempo iríamos pregar o evangelho, e aquele dia foi minha vez.  Como jovem de 20 anos, estava pregando pela segunda vez na minha vida.  Falava através de DOIS intérpretes–de inglês para francês, e de francês para o dialeto local.  Mas não foi nada disso que me impressionou naquele dia, mas, sim, o meu auditório.  Meus ouvintes eram pessoas leprosas.

Nunca vou me esquecer da senhora que entrava na igreja engatinhando nos cotovelos e joelhos (faltava-lhe braços e pernas).  A imagem do pastor daquela igreja está para sempre gravada na minha mente: um senhor quase cego, também faltando braço e pernas, mas que constantemente pregava Jesus.

Depois daquela experiência, pesquisei um pouco sobre a doença hoje conhecido como “Mal de Hansen” ou “Hanseníase” e descobri algo muito interessante.  Os danos pessoais que o leproso experimenta  são  conseqüência indireta da doença.  A Hanseníase afeta os nervos;  causa uma insensibilidade à dor, levando a pessoa atingida a não perceber feridos e outros problemas físicos.  O resultado?  Sem este sinal de dor, o corpo é prejudicado a tal ponto que perde dedos, pés, braços, orelhas.  Uma coisa tão simples como a falta de circulação no pé, que causa uma pessoa normal a sentir o pé “formigando”, pode levar à morte circulatória do pé.

“A dor do leproso”, ou melhor, a falta de dor, causa grandes prejuízos físicos.  Mas a minha experiêcia naquela vila africana me fez pensar em outro prejuízo.  A Palavra de Deus nos diz “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão.  Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Pv 3:11,12).  A disciplina bíblica, produto do amor de um pai, visa providenciar “nervos espirituais” para o filho.  A “dor artificial”  ajuda o filho a entender que desobediência, rebeldia, mentira e outros pecados são altamente prejudiciais para sua saúde espiritual.  O pai que recusa disciplinar seu filho é culpado de criar um “leproso espiritual”.

Infelizmente, muitas vezes fugimos da dor da disciplina e perdemos seu valor.  O governo brasileiro está seguindo a mesma linha já adotada por países como Canadá e Suécia, que já passaram legislação proibindo disciplina corporal de filhos.  Mas o livro de Provérbios nos alerta,“Estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (29:15).  Essa é uma questão em que temos que decidir a quem serviremos, a Deus ou César.

O pai que ama sua popularidade mais que ama seu filho; o pai inseguro, que teme perder o amor do filho; o pai infeccionado por conceitos psicológicos e anti-bíblicos que negam a disciplina corporal; o pai que nunca teve o privilégio de uma instrução bíblica sobre correção no lar; o pai ausente ou negligente; todos estes que deixam de corrigir seus filhos correm o risco de criar  leprosos espirituais. Provérbios nos alerta que“O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina” (13:24).

Os pais que não seguem o conselho divino sobre criação de filhos também expõem seus filhos a grande perigo de morte prematura, tanto física como espiritual: “Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá.  Tu a fustigarás com a vara e livrarás a alma do inferno” (Pv 23:13,14; cp. 19:18).  Há precedente suficiente nas páginas da Bíblia para nos alertar contra esta possibilidade.  Eli, Samuel e Davi, às vezes conhecidos como homens de Deus,  perderam seus próprios filhos justamente pelo fato de não discipliná-los biblicamente.  Os filhos morreram como “leprosos espirituais” pois nunca tiveram a expressão de amor paterno através da administração cuidadosa da vara e repreensão.

Sem dúvida alguma, o alto índice de maltratamento de crianças deve nos assustar e alertar contra o mesmo.  Mas disciplina bíblica com a vara não significa espancar uma criança.  A vara não deve ferir, mas, sim, arder o suficiente para fazer com que a criança caia em si, reconheça sua natureza pecaminosa, para ser conduzida até a cruz de Cristo.  Usa-se a vara e a disciplina corporal principalmente naqueles anos antes do raciocínio abstrato ser desenvolvido para que a criança consiga associar o “crime” com as conseqüências.

O produto de disciplina bíblica não pode ser super-estimado.  “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Pv 29:17).  Quando foi a última vez que você viu um pai que não disciplina seus filhos “descansado”?  Muito pelo contrário!  Infelizmente, a criança não-disciplinada enquanto pequena cresce para ser insuportável depois.  Como Provérbios diz, “A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (29:15).

Mas a criança disciplinada biblicamente “dará delícias” aos pais.  É interessante notar que a palavra “delícias” foi usada de comidas finas e luxuosas, a comida de reis (Gn 49:20, Jr 51:34).  Quem começa cedo a corrigir seu filho e continua firme até o fim participará de um “banquete real” junto com os próprios filhos.  Isso porque o uso da vara faz parte de um processo que visa atingir o coração e não somente o comportamento do filho, para depois levá-lo até a graça salvadora de Cristo Jesus.

Quando visitei aquela colônia de pessoas leprosas, tive muita pena das pessoas que já perderam tanto pela falta de sensibilidade física.  Hoje tenho bem mais pena de crianças cujos pais recusam administrar “dor homeopática” para que não sejam leprosos espirituais.  Os resultados desta insensibilidade são eternos.


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