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O que a submissão não significa | Vida a Dois

Por 11 de setembro de 2018 0 Comentários

Um dos retratos mais famosos no mundo é de uma mulher, a Mona Lisa por Leonardo da Vinci.  Muitos têm debatido de onde vem o poder cativante desse quadro–talvez o sorriso misterioso da mulher, talvez a possibilidade de que ela saiba algo que nós não sabemos.  Da Vinci ficou famoso pela sua inovação de novas técnicas artísticas na Mona Lisa, especialmente pelo uso suave de cor e de sombras, criando esse efeito misterioso, uma “aura” em volta da figura. 

Quando Deus quis nos instruir sobre relacionamentos saudáveis no lar, começou com o retrato de uma mulher cujo valor é inestimável.  Nela a vida de Cristo se manifesta, superando suas tendências naturais pela obra sobrenatural de graça.  Essa mulher possui uma “aura” também, criada pelo uso suave do Espírito de pinceladas que traçam a imagem de Cristo na personalidade da mulher.  Os textos bíblicos que revelam para nós essa pintura são unânimes na descrição do “ar misterioso” que caracteriza essa mulher:  Chama-se um espírito manso e tranqüilo, um coração “submisso”. 

Infelizmente, se existe um “palavrão” na sociologia da família hoje, é a palavra “submissão”. A polêmica normalmente inclui debate entre dois extremos igualmente desequilibrados: alguns erram ao lado do feminismo radical, clamando por uma libertação generalizada da opressão feminina; outros errando num “neo-machismo” que justifica um domínio masculino que também não encontra respaldo nas Escrituras.  Como sempre, precisamos voltar à Palavra de Deus para um equilíbrio que permite que Deus tenha a última palavra. 

Esse primeiro estudo sobre relacionamentos saudáveis no lar começa onde os três textos clássicos sobre o assunto começam, com o papel da mulher no lar (Ef 5:22-24, Cl 3:18, 1 Pe 3:1-6).  Primeiro vamos “preparar a tela”, descobrindo o que a submissão da mulher NÃO significa.  Depois examinaremos a pintura bíblica do retrato dessa mulher valiosa. 

Submissão não é uma responsabilidade exclusiva da mulher

Efésios 5:21 deixa claro que, como fruto da plenitude do Espírito em nossas vidas (Ef 5:18), todos nós temos uma responsabilidade de submissão mútua: “sujeitando-os uns aos outros”.  Todos nós vivemos debaixo de autoridade.  O Espírito de Deus produz um “alinhamento” (sentido literal do verbo grego) no Corpo de Cristo (e especialmente na família) através de autoridades em nossas vidas a quem nos submetemos.  Somente quando todos nós “entramos na linha” é que haverá relacionamentos saudáveis no lar. Assim como os vários anéis de uma dobradiça precisam ser encaixadas para que uma porta revolve direito, assim esposas, maridos, pais e filhos precisam submeter-se a Deus e uns aos outros no desempenho de seus respectivos papéis no lar.  Afirmar que submissão é uma “maldição exclusiva” da mulher ignora o ensino bíblico claro sobre o assunto. 

Submissão não significa inferioridade da mulher

Alguns, infelizmente, têm interpretado o ensino bíblico sobre submissão como se significasse a inferioridade da mulher.  Mas submissão feminina é, acima de tudo, uma questão funcional, não “essencial”.  Deus criou o homem E a mulher à imagem dEle (Gn 1:27).  Criou a mulher justamente para socorrer o homem e complementá-lo onde ELE era fraco (Gn 2:15-18; veja Gl 3:28).  Na própria Bíblia encontramos mulheres mais corajosas que os homens (Débora X Baraque), mais capazes como comunicadoras da Palavra que seus maridos (Priscila e Áquila) e mais comprometidas com Jesus (Maria, Marta e companhia X os apóstolos na crucificação e ressurreição de Jesus). 

Isso significa que não há diferenças funcionais e práticas no bom andamento do lar?  Não.  Em sua infinita graça Deus designou um membro do lar como líder, protetor e provisor, e outro como sua companheira, amiga e complemento, assim evitando muito conflito e atrito na família. 

Submissão da esposa não é para todos os homens em todos os contextos

Tenho ouvido vários homens falando como se todas as mulheres fossem subservientes a eles.Mas o texto bíblico é unânime e claro ao declarar não menos de QUATRO vezes que submissão é da esposa ao seu próprio marido (Cl 3:18, 1 Pe 3:1, Ef 5:22, Tt 2:2-5).  O jovem namorado não tem direito nem razão em exigir “submissão” da parte de sua namorada., assim como um homem não tem direito de “mandar” na esposa de outro.    A ordem bíblica aplica-se ao lar e, conforme alguns outros textos bíblicos, algumas situações de liderança na igreja.  Mas nada na Palavra justifica uma aplicação de “submissão feminina” ao contexto politico, empresarial ou social.  Tomemos cuidado para falar o que a Palavra fala, não mais nem menos. 

Submissão não significa escravidão

Se existe escravidão no lar, o “escravo” é o homem e não a mulher.  Jesus chamou o homem para liderar o lar com amor sacrificial, e exemplificou essa liderança amorosa pela vida de servo.  Infelizmente, o movimento feminista tem escravizado ainda mais as mulheres, “libertando-as” para uma vida em que não somente ganham o pão de cada dia mas também continuam cuidando de boa parte do serviço da casa. 

Alguns homens têm contribuído para esse quadro.  Interpretam a frase “auxiliadora idônea” de Gn 2:15-18 como “capacho eficiente”, quando de fato significa que a mulher é um complemento ao homem—diferente-mas-semelhante ao homem, para socorrê-lo em suas muitas encrencas!  Certamente não justifica um homem deitado no sofá com controle remoto em mãos gritando para sua esposa atarefada trazer um refrigerante da geladeira com pedaço de limão! 

Submissão não implica em autonomia masculina no lar

Submissão no lar não significa que o homem toma todas as decisões independentemente de qualquer consulta, palpite ou opinião dos outros membros do lar.  O ponto na criação da mulher foi justamente a necessidade que o homem tinha (e tem) de alguém ao seu lado como companheira, amiga, complemento e socorro.  Que burrice ignorar e anular os dons da pessoa que Deus colocou ao nosso lado para nos completar!  Conheço homens que não permitem que suas esposas comprem um pão francês sozinhas, mas que saem para adquirir um novo carro, terreno ou apartamento sem sequer consultar suas esposas!  Esse não é o plano de Deus para relacionamentos saudáveis no lar. 

Agora que preparamos a tela, descobrindo o que submissão feminina NÃO significa, podemos  pintar o retrato da nossa “Mona Lisa”, a mulher submissa cujo valor é inestimável diante de Deus. Esse será o assunto do próximo artigo, “Relacionamentos Saudáveis no Lar II”. 


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Davi Merkh

Davi Merkh

Pr. Davi Merkh, natural do Estados Unidos, é casado com Carol Sue Merkh. Davi é professor do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) desde 1987, onde coordena o programa de Mestrado em Ministérios. Formado em teologia (AT) pelo Dallas Theological Seminary (EUA), Davi tem doutorado em ministério (ênfase ministério familiar). É pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia (PIBA).

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