“Assim, nós mesmos devemos sustentá-los, a fim de nos tornarmos seus cooperadores quando eles ensinarem a verdade.” (3 João 1: 8)

A cooperação sempre foi uma palavra difícil para os cristãos protestantes expressarem de forma convincente. Dada uma história definida por expulsão e separação, nossa falta de credibilidade nessa área é compreensível. Se formos honestos, muitos de nós teríamos que admitir que “competição”, e não “cooperação”, é muitas vezes o subtexto nas relações entre as igrejas. Igrejas competem por membros, por influência, por recursos. Para complicar ainda mais as coisas, muitas das vozes que falam mais alto em favor da cooperação buscam construí-la em situações instáveis ​​ou mesmo propor uma unidade superficial antibíblica que ignora a discordância séria em relação ao próprio evangelho.

Para completar, minhas qualificações pessoais para escrever sobre a questão da cooperação, como congregacionalista batista evangélico, pode parecer triplamente duvidosa! Não obstante, as Escrituras me convencem de que a cooperação é um assunto que todos os cristãos que amam o evangelho deve considerar se pretendemos levar a Palavra de Deus a sério. Mas por onde começar?

O contraste

A 3ª carta de João é um lugar onde o valor da cooperação entre cristãos em diferentes igrejas locais é especialmente claro. Aparentemente alguns evangelistas itinerantes saíram da igreja onde o apóstolo João viveu e vieram a ter na cidade onde seu amigo Gaius residia. João, então, escreveu uma carta que contrastava o apoio fiel e cooperador que estes evangelistas haviam recebido de Gaius com a rejeição egocêntrica e a oposição que haviam recebido de Diótrefes. No verso oito da carta, João enfatiza a importância da cooperação dizendo: “Devemos, portanto, mostrar hospitalidade a tais homens para que possamos trabalhar juntos pela verdade”.
Nós não podemos começar aqui a sondar as profundezas desta rica letra, ou mesmo do oitavo verso, mas podemos considerar, neste contexto, o desafio que nos é apresentado, e por que é importante para os cristãos abraçarem este desafio alegremente. Como devemos entender essa passagem para nós e para as nossas igrejas hoje?

Buscar abençoar outros

Para começar, devemos ativamente querer cooperar com outros cristãos comprometidos com a mesma verdade do evangelho. Certamente nós não devemos cooperar ou apoiar pessoas ou igrejas que pregam o falso evangelho – a 2ª carta de João aborda este tópico. Mas a injunção positiva de 3 João deve nos alegrar tendo em vista quer existem outros cristãos com quem compartilhamos a verdade do evangelho e podemos cooperar. É por isso que a congregação onde eu sirvo está comprometida em gastar uma parte significativa de seus recursos, e não apenas tempo, em nossa própria congregação, mas abençoando e fazendo parcerias com outras igrejas locais.

Formas de se relacionar e dar suporte

Existem muitas maneiras pelas quais as igrejas podem fazer isso. Uma igreja pode fazer parceria com outras igrejas que creem no evangelho para programar almoços semanais em locais estratégicos da cidade para que os membros da igreja possam trazer seus colegas de trabalho e discutir assuntos evangelísticos (nossa igreja batista faz parceria com uma igreja anglicana e presbiteriana desta maneira). Uma igreja pode fazer isso oferecendo um programa de estágio pastoral que apoia jovens por um semestre ou mais, ensinando-os como ser pastores ou missionários antes de enviá-los para abençoar outras congregações. Uma igreja pode fazer isso juntando recursos financeiros com outras igrejas que tenham ideias semelhantes para enviar membros a fim de proclamar o evangelho à povos não alcançados ao redor do mundo. Uma igreja pode fazer isso apoiando uma organização como a 9Marks, que ajuda outras igrejas a pensar na vida bíblica da igreja. E, quando a ocasião permitir, uma igreja deve praticar a hospitalidade a membros de outras igrejas, como o verso lido instrui diretamente.

Quando nosso amor pelo evangelho é mais claro

O tipo de cooperação e hospitalidade descrito em 3 João 8 é importante, mas é preciso esforço. Vai contra nosso próprio interesse. É por isso que João está tão preocupado com a carta para incentivar Gaius a amar ativamente estranhos, para apoiar aqueles de fora de seu próprio círculo que estão trabalhando para a verdade. João diz isso não porque o trabalho evangélico desses evangelistas era mais importante do que o trabalho feito na própria cidade de Gaius, e não porque a cooperação é um propósito em si mesma. João ordena isso porque obedecer às instruções de João sobre este assunto seria bom para a alma de Gaius. João sabe que um dos indicadores mais confiáveis do nosso amor por Jesus é o grau de comprometimento em que trabalhamos para o avanço da verdade dEle quando não há nenhum ganho aparente para nós.

Nosso amor pelo evangelho é mais claro quando nos deleitamos em vê-lo prosperar,  e ajudamos a prosperar , quando outras pessoas são vistas como agentes humanos de seu sucesso. João modela esse tipo de amor pelo evangelho enquanto ele se deleita em ver a verdade honrada nas vidas e ministérios de crianças espirituais que não têm mais nenhuma conexão direta consigo mesmo.

Eu acho que mesmo Diotrephes (cujo coração era “mal”) estava animado com o sucesso em sua própria igreja, mas temo eu que o motivo era apenas porque ele considerava a igreja como obra dele. Gaius estava, sem dúvida, satisfeito em ver o evangelho dar frutos em sua igreja também, mas havia uma diferença crítica. Ele ficou encantado ao ver o evangelho dar fruto por meio do trabalho de estranhos, membros de outra igreja, e entre pessoas que ele nunca iria conhecer. Gaius estava disposto a ter mais problemas e despesas para dar suporte ao trabalho realizado pelos forasteiros, trabalhando juntos para proclamar a Verdade. E é essa disposição que esclarece de maneira eficiente que um cristão está apaixonado pelo nome de Jesus e não apenas por seu próprio nome ou seu ministério. Isso, meus amigos, é a atitude que você e eu devemos imitar.

A linha final

Se empenhe trabalhando para a saúde de sua igreja local, certamente. Apoie seu ministério local, ame uns aos outros, ensine e treine homens e mulheres para servir exatamente onde você está. Mas não faça isso apenas pelo seu próprio bem, mas para que sua congregação possa ser uma bênção para a sua comunidade, para igrejas em toda a sua nação e até mesmo para as partes distantes do mundo. Cultive maneiras de tornar visível o seu amor pelo evangelho, e não apenas o seu amor pelo seu ministério.

Mas, na verdade, nem isso é suficiente. Não trabalhe apenas para que sua igreja possa ser uma bênção para o mundo, trabalhe por causa do Nome sobre todos os nomes, para que Cristo seja exaltado entre as nações. Fazendo isso, quando se prepara para ajudar o trabalho de outros cristãos, você demonstrará que quer ver a exaltação de Cristo e não apenas a exaltação de sua igreja ou grupo. Você demonstrará que o evangelho é muito maior que sua esfera pessoal de trabalho. Quando você fizer tudo isso, creio que você descobrirá que tanto a sua alegria no evangelho e sua confiança no triunfo mundial só cresce quando você dá as mãos aos outros para trabalhar juntos pela Verdade.


Originalmente publicado em inglês como: “Fellow Workers For the Truth” por Andy Johnson. Usado com permissão da 9marks, Washington- DC 20002 https://www.9marks.org
Link original: http://www.9marks.org/wp-content/uploads/2008/02/ejournal200852marapr.pdf
Traduzido por: Gustavo Carvalho

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